Guias

Quanto custa imprimir uma peça em 3D no Brasil: a conta real de filamento e energia — e por que a luz é a menor despesa, mas o secador ligado é a maior

Quanto custa imprimir em 3D? A conta com preços brasileiros: filamento por grama, energia por hora com dados oficiais da Bambu Lab e o custo esquecido.

Rolos de filamento de varias cores numa prateleira, com uma peca impressa em 3D na frente de cada rolo
Foto: Maurizio Pesce / Flickr, CC BY 2.0

Uma peça de 50 gramas em PLA, impressa em seis horas numa Bambu Lab A1, custa cerca de R$ 5,20 em material e energia no Brasil de setembro de 2026 — R$ 4,70 de filamento e R$ 0,50 de luz. A conta assusta pelo lado errado: quase todo iniciante acha que a impressora “come energia” e descobre que a luz é a menor linha da planilha, enquanto o rolo de filamento some rápido e o secador esquecido ligado custa meio rolo por mês. Este guia monta a conta linha a linha, com preços brasileiros e os números oficiais de consumo do fabricante.

A conta tem quatro linhas, não uma

LinhaComo calcularPeso na conta
Filamentogramas da peça × preço por gramaalto — é quase tudo no uso doméstico
Energiapotência média × horas × tarifabaixo — centavos por hora
Consumo e desgastebico, mesa, correia, colabaixo, mas real
Falhaspercentual do que você refugavariável, e costuma ser a surpresa

Filamento: o preço por grama

O rolo nacional de 1 kg de PLA está entre R$ 90 e R$ 98 e o de PETG entre R$ 97 e R$ 109, segundo a leitura mais recente da nossa tabela de preços. Divida por mil e você tem o preço por grama:

MaterialRolo de 1 kg (marcas nacionais)Por grama
PLAR$ 90 a R$ 98R$ 0,090 a R$ 0,098
PETGR$ 97 a R$ 109R$ 0,097 a R$ 0,109
ABSR$ 86 a R$ 101R$ 0,086 a R$ 0,101

O fatiador informa o peso da peça antes de imprimir — é o número que você multiplica. Vale lembrar que o descarte entra na conta: a torre de purga da impressão multicolorida pode pesar mais que a própria peça, e quem imprime com quatro cores precisa somar esse plástico.

Energia: os números oficiais, não o chute

A Bambu Lab publica na própria wiki a potência média medida das máquinas durante a impressão. Com PLA, uma A1 consome em média 95 W; a A1 mini, 80 W; a P1S e a X1 Carbon, 105 W; a H2D, 197 W. Materiais que exigem mais calor sobem a conta: a mesma A1 sobe para 200 W imprimindo ABS.

A tarifa residencial média projetada pela ANEEL para o fim de 2026 é de R$ 849 por MWh, ou R$ 0,849 por kWh; somada à bandeira amarela, em vigor desde maio e mantida em setembro, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh, o valor de trabalho fica em torno de R$ 0,87 por kWh. A sua tarifa está impressa na conta de luz e varia por distribuidora — troque o número se quiser precisão.

Máquina e materialPotência média (dado do fabricante)Energia por hora
A1 mini, PLA80 WR$ 0,07
A1, PLA95 WR$ 0,08
P1S ou X1 Carbon, PLA105 WR$ 0,09
A1, ABS200 WR$ 0,17
H2D, PLA197 WR$ 0,17

Uma impressão de doze horas na A1 custa menos de um real de energia. É por isso que a frase “não vale a pena pela conta de luz” não se sustenta.

O custo que ninguém soma: o secador ligado

Aqui está a inversão. A mesma wiki registra que o AMS 2 Pro consome 80 W no modo secagem e o AMS HT, 170 W. Deixar o AMS 2 Pro secando 24 horas por dia custa cerca de R$ 50 por mês — mais da metade de um rolo de PLA, todo mês, para secar filamento que talvez não estivesse úmido. O AMS HT no mesmo regime passa de R$ 100.

Em espera, o gasto é irrisório: a A1 fica entre 4 e 5,4 W desligada da impressão e conectada ao Wi-Fi, o que dá cerca de R$ 3 por mês. Não é onde economizar.

A conclusão prática: ligue a secagem quando houver sintoma — estalo no bico, superfície áspera, fio entre as peças —, e não como rotina permanente. O guia de como secar filamento úmido traz o tempo e a temperatura por material.

Consumo, desgaste e falhas

Bico, placa de mesa, correia e cola são consumíveis reais, mas de vida longa e muito variável conforme o material: quem imprime PLA troca bico raramente, quem imprime filamento com fibra de carbono troca em semanas. Em vez de inventar uma média, o método honesto é anotar o que você gastou em peças de reposição nos últimos doze meses e dividir pelas horas impressas no período.

As falhas entram do mesmo jeito. Se de cada dez impressões uma vai para o lixo, seu custo real por peça boa é 11% maior. Quem está aprendendo trabalha com margem bem pior que isso, e é justamente por isso que calibrar compensa: cada peça salva é filamento que não virou refugo.

A conta fechada: três cenários

CenárioPeçaTempoFilamentoEnergiaDireto
Chaveiro8 g, PLA25 minR$ 0,75R$ 0,03R$ 0,78
Suporte de bancada50 g, PLA6 hR$ 4,70R$ 0,50R$ 5,20
Capacete de cosplay900 g, PETG40 hR$ 92,70R$ 3,31R$ 96,01

Os três usam a A1 a 95 W (a potência que o fabricante publica para PLA, aplicada também ao PETG por falta de dado específico), PLA a R$ 0,094 por grama, PETG a R$ 0,103 e energia a R$ 0,87 por kWh.

E se for para vender?

Aí a conta muda de natureza, e o material deixa de ser o assunto. Para precificar, some ao custo direto:

  • Depreciação da máquina. Divida o preço pago pelas horas que você espera tirar dela. Uma A1 mini de R$ 2.087 amortizada em 1.000 horas de uso adiciona R$ 2,09 por hora — cerca de duas vezes e meia o custo de energia e filamento juntos naquela peça de 50 gramas. O número de horas é uma escolha sua, e é a variável que mais mexe no resultado.
  • Seu tempo. Modelar, fatiar, tirar da mesa, remover suporte, lixar e embalar. É a maior despesa de quase toda operação pequena, e a que mais some das planilhas.
  • Refugo, frete e embalagem.

Para hobby, o custo direto basta e a resposta é animadora: a peça custa trocados. Para venda, quem só cobra filamento mais luz está pagando para trabalhar.

Perguntas frequentes

Imprimir em 3D aumenta muito a conta de luz?

Não. Uma impressora de mesa em PLA consome menos que uma televisão ligada. Vinte horas semanais na A1 dão cerca de R$ 6,60 por mês.

O rolo importado compensa?

Para filamento, raramente: com 60% de imposto de importação e ICMS, o rolo barato lá fora chega mais caro que o nacional. A conta está na nossa tabela de preços.

Quanto pesa a peça antes de imprimir?

O fatiador mostra na tela de pré-visualização, junto com o tempo estimado. Use sempre esse número e não o peso do modelo sólido.

Nota de apuração: as potências médias por máquina e por material são as publicadas pela própria Bambu Lab na página de consumo de energia da sua wiki, lida por esta redação em 19/9/2026 — são medições do fabricante, não nossas. Os preços de filamento vêm da leitura de lojas brasileiras registrada na nossa tabela de preços, com a data da conferência lá indicada. A tarifa de R$ 0,849 por kWh é a média residencial projetada pela ANEEL para o fim de 2026, divulgada em março, e o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh é o da bandeira amarela vigente em setembro; a tarifa real varia por distribuidora e por faixa de consumo. Os totais das tabelas são aritmética sobre esses valores. Não medimos consumo com wattímetro próprio, e os itens de desgaste e depreciação são método de cálculo, não medição — os números de exemplo estão marcados como escolha do leitor. A foto de abertura e de Maurizio Pesce, publicada no Flickr sob licenca CC BY 2.0. Não há link comissionado nesta matéria.

Publicidade
Anuncie no FilamentoNewsSeu produto na frente de quem imprime em 3D no Brasil.Fale com a gente →